segunda-feira, 20 de janeiro de 2020
Festas do Solstício de Inverno
POESIA É ARTE E CULTURA...
Marcia Ruth Kanitz Portela
Professora - Poeta
Obra: Folclore Nacional - Festas, Bailados, Mitos e Lendas. Autor - Alceu Maynard Araújo
As festas da santa-cruz e as de junho são realizadas em todo o Brasil. A primeira francamente decadente. A de São João é a principal festa do solstício de inverno realizada em todo o território brasileiro; as demais são satélites. Festa profundamente humana, traz em seu bojo os apelos da arqueocivilização, é o ritual pagão que se trasladou para o catolicismo romano que lhe deu como padroeiro um santo cuja data hagiográfica se localiza no período solsticial, época no Brasil, do início das colheiras, dentre as quais se destaca a do milho.
Enquanto os demais santos são apresentados nas iconografias como adultos, São João Batista - o precursor, figura como menino de cabelos encaracolados e tem, ao contrário dos outros, a sua festa realizada em a noite que antecede o seu dia.
Festa presente em todas as áreas culturais brasileiras, nas quais uniformemente gira em torno do fogo, nela se tiram sortes e prevendo o futuro, e, embora seja nosso país tropical, onde a vigília é dispensável, é esta elemento que permanece, pois nessa noite come-se muito e principalmente os alimentos chamuscados pelo fogo: batata-doce assada, a onipresente mandioca (macaxeira). Lá no setentrião é a castanha do Pará ou de caju, no sul é o pinhão. Bebe-se o produto da terra - a cachaça, que tem no Brasil mil e um nomes: bebida pura ou mistura com frutas (limão) ou cocção de raízes(gengibre) dando o "quentão": licor de maracujá ou de jenipapo.
Nas festas juninas estão bem marcados os tipos de comidas e bebidas preferidos pelo povo. No Amazonas come-se carne de boi, de tartaruga, de galinha, de peixe, de caças de pelo e penas e as frutas: abacaxi, banana, ananás, laranja, bacaba, açaí. Estas, ao lado da macaxeira, batata-doce, pupunha. Flores, enfeitam os mastros, em cujo tope se vê uma bandeirinha branca.
No Ceará come-se serrabulho, linguiça, carne assada com pirão, cabidela, batata-doce, inhame, pamonha, canjica, mungunzá, milho assado, pé-de-moleque, cocada, tapioca, bolo, grude, beiju, broa, castanha de caju assada e bebe-se capilé, jinjibirra, aluá, mocororó, cauim, licor e cachaça.
Em Goiás come-se paçoca de carne, batata-doce assada, pé-de-moleque, pipoca, biscoito de ubá, mandioca, milho verde, bebe-se garapa de cana e dança-se o saruê, dança jocosa que se assemelha à quadrilha, confusa na marcação.
Diferem também nas várias áreas as danças e cantos preferidos pelo povo. No Amazonas dançam a polca, "schottish", quadrilha, valsa, desfeiteira e sambas. No Pará, cerca de cem ou mais pessoas mascaradas acompanhadas por uma banda de música de uma dúzia de figuras, formam o grupo de foliões popularmente chamados - mascarados - que nessa noite percorre as ruas, de mistura com os "bichos" que frequentam as festanças paraenses. No Nordeste, o coco, coco-de-praia, o bambelô, o boi-de-São João, sambas, marchas e roda -pagode. Esta é a atividade lúdica dos adultos do baixo São Francisco por ocasião das festas de plenitude ou principalmente na pequena vacância agrícola do inverno "mês de São João".
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