quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020
CONGADA
É provável que no tempo e no espaço seja o bailado popular mais notável. É luis Edmundo que a surpreende no Rio de Janeiro colonial no tempo dos vice-reis. Dela há registros de vários viajantes que perlustraram nossas terras no passado. Alguns estudiosos registraram-na em vários pontos do Brasil: Ceará, Paraíba, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul. Particularizando podemos afirmar, graças nossas pesquisas in loco, a sua presença em uma vintena de municípios no Estado de São Paulo.Em 1948 ao preparamos um mapa das atividades folclóricas no Estado de São Paulo, apontamos Atibaia como a capital da zona cangueiro. Registramos a congada nos seguintes municípios. Ajuriti, Aparecida do Norte, Atibaia, Bragança Paulista, Caraguatatuba, Eldorado Paulista, Iguapé, Ilhabela, Itapetininga, Itapira, Itatiba, Joanópolis, Lindoia, Moji das Cruzes, Moji Mirim, Acarei, Nazaré Paulista, Piracaia, Salesópolis, Santo Antônio da Alegria, São Sebastião, Serra Negra e Socorro. /de uma região para outra seu nome pode variar, mas o substractum dela é sempre a luta entre cristãos e mouros. Alardo, Ticumbi ou Baile -de-Congos no Espírito Santo; Calumbi,Cacumbi, Côrte-de-mouros, Congo-de-morro, Baile-de-congo, no interior baiano; Congada, Congado ou Congo em minas Gerais, Mato Grosso, Goias e São paulo, Congada no Paraná e rio Grande do Sul. Neste é também conhecido por quicumbi.. Em Minas Gerais, há o catopês que pode ser considerado como congada, ou melhor, arremedo de congada, foi o que vimos em agosto de 1961 em montes Claros.
Função social - A Congada é folclore artificial, criado pelo catequista, visando uma função sublimada (psicanálise) dos escravos e outra integradora do pagão, do fetichista na religião oficial. A escravatura, nas suas raízes em terras d'África levava a destruição das civilizações africanas procurando desagregá-las. Vieram nos tumbeiros negros de diversos estoques tribais. A política da igreja entretanto procurou manter as nações. Ora, as nações africanas eram inimigas entre sio e essas lutas vieram continuar aqui no Brasil. O plano então seria evitar uma revolta contra o branco pela união das diferentes nações. O folclore artificial mantinha em parte a velha tradição. Os negros formavam tribos que se guerreavam - suas danças eram guerreiras. A igreja transfere sabiamente esse instinto de guerreiro do negro em espécie de cruzada religiosa. Ela introduz um sincretismo, misturando a atitude guerreira do negro com o sentimento religioso. Simples instrumento de trabalho como eram considerados os escravos, para garantir boa produção, os capelães aconselharam aos senhores dar-lhes certos dias de festa por ano. A igreja visava cristianizar exigindo dos escravagistas descanso nos dias das grandes datas religiosas. Graças aos dias de folga, à política de dar divertimento em certos dias do ano, muitas das músicas e das danças trazidas pelos negros, se mantiveram. Os padres, defensores dos negros mantinham severa fiscalização parra que seus protegidos não dessem caráter muito sensual às suas danças. Esta, porém, era estimulada pelo senho branco que via nelas maior possibilidade de procriação.
Desta interação entre padres, patrões e escravos, podemos separar as manifestações do folclore negro em três formas características: congada - que é dos negros ministrada pela Igreja: Batuque, condenada pela Igreja, favorecida pelo senhor: era a dança de prostituição das senzalas e finalmente a MAcumba ou Candoblé, condenada pelos patrões brancos e pela Igreja, mas tradicional do negro livre.
BAILADOS
Poesia é Arte e Cultura...
FOLCLORE NACIONAL
Alceu Maynard Araújo
Festas - Bailados - Mitos e Lendas
Professora poeta - Marcia Ruth Kanitz Portela
Bailados
Foi Mário de Andrade que denominou de danças dramáticas aos bailados populares: " reúno sob o nome genérico de danças dramáticas", disso o saudoso escritor paulista, " não só os bailados que desenvolvem uma ação dramática propriamente dita, como também todos os bailados coletivos que, junto com obedecerem a um tema dado tradicional e caracterizador, respeitam o princípio formal da suíte, isto é, obra musical constituída pela seriação de várias peças coreográficas."
A nosso ver os bailados populares no Brasil foram largamente usados na catequese porque os jesuítas, criadores do teatro religioso, lançaram mão dele iniciando a conversão da indiada.
sábado, 25 de janeiro de 2020
MICARETA
Poesia é Arte e Cultura...
Marcia Ruth Kanitz
Professora - poeta
Obra: Folclore Nacional 1964
Autor - Alceu Maynard Araújo
No Sul do pais procurou-se introduzir a "micareme" que parece não se ter aclimatado entre os nossos costumes. Já no Nordeste, na açucareira, existe a "micareta". Na Bahia ela "pegou de galho", principalmente nas cidades próximas da Capital. Em Feira de Santana ela é realizada todos os anos. É como o carnaval, tem a mesma duração e se realiza após a Semana Santa. As cidades, marcam datas diferentes de sua micareta para que possam turistas ir até lá para recrearem-se. Assim é que em Rui Barbosa, Itaquera, Mairi, as datas diferem das de Feira de Santana, que me 1961,foi nos dias 15,16,17 e 18 de abril.
A micareta nestas cidades baianas tem o mesmo sentido do carnaval, com cordões, mascarados, bailes nos clubes e frevo na rua. Mandam buscar o "trio-elétrico", isto é, um conjunto musical que toca dentro de um caminhão munido de potentes alto-falantes. O caminhão percorre a cidade e o conjunto é composto em geral por cavaquinho, violões, pandeiros, tambor de batucada. O povo aproveita para cair na onda do frevo, para dançar pelas calçadas, pela rua freneticamente ao som do "aparelho de batucada" .
Enterro dos ossos
Poesia é Arte e Cultura
Marcia Ruth Kanitz
Professora - poeta
Obra: Floclore Nacional - Festas, Bailados, mitos e Lendas.
Autor - Alceu Maynard Araújo 1964. Ed. Melhoramentos
Enterro dos Ossos - Não Confundir com o enterro-do-ano-velho, folguedo tradicional da Bahia que pode ser considerado o prelúdio do carnaval, por causa dos mascarados e das brincadeiras que se assemelham aos desse divertido coletivo.
É comum, chamar-se enterro dos ossos à reunião festiva que se faz no dia imediato, a uma festa grande, para liquidar o que sobrou dos comes e bebes, com comezaina e bebedeira.
Na região do boiadeiro, em plena quaresma, no primeiro domingo para quebrar o jejum e tristezas, préstito carnavalescos de fantasiados com roupas negras e caveiras brancas pintadas, percorria as principais ruas de Corumbá (E. de Mato Grosso).
Na antiga região cafeicultura tinha outra forma, outro significado. Era uma espécie de desforra alimentar. A quaresma é a época de abstinências e comedimentos, depois a Semana Santa com jejum obrigatório, hoje muito abrandado, em chegando a Páscoa, todos comiam a valer para ressarcir das abstinências. Surge então o enterro dos ossos. As sobras dessa festa, proporcionam outro dia no dia imediato, quando serão enterrados os ossos.
Certamente tal costume revive o da Idade Média, em que, chegada a Páscoa, os barões e senhores feudais comiam e bebiam muito. Contudo, por mais que comessem e bebessem ainsa sobravam algumas migalhas que distribuíam aos vassalos, servos da gleba, aos empregados, e estes, como era natural se refestelavam com os ossos que sobravam.../alegres, satisfeitos, dançavam, pulavam e, em cada ano, era introduzida uma novidade, uma pitoresca a mais, nota essa que acabou caracterizando aquela festa singular que divertia os próprios senhores, satisfeito com a alegria de seus súditos.
ENTRUDO
Poesia é Arte e Cultura...
Marcia Ruth Kanitz Portela
OBra Folclore Nacional 1964
Autor - Alceu Maynard Araújo.
Solstício de Verão - Ainda no solstício de verão gravitam as festas do ENTRUDO, hoje carnaval. Foi a partir da guerra do Paraguai que se introduziu no Brasil o carnaval atual. Antigamente era ENTRUDO ou "intruido", tal qual é ainda praticado em algumas regiões brasileiras.
No sul da região cafeicultura onde ela se limita com a do campeiro ainda é com, nos bairros rurais, à noite, reunir-se um grupo de roceiros que ao som de pandeiros, reco-reco, chocalho, panelas e colheres, violas, cavaquinhos, violões formando uma grande roda da qual participam homens, mulheres e crianças. Canta e dança até altas horas da madrugada. Na noite do sábado para o domingo de carnaval, amanhece na festança.
Coma chegada da "banda-infernal" o entusiasmo é redobrado, ois ela dá abertura às brincadeiras. Os mascarados que a compõem. procuram tocar os instrumentos mais grotescos e barulhentos possíveis:instrumentos musicais quebrados, desafinados, tudo que possa provocar hilaridade.
Em geral a "banda infernal" e a vizinhança se dirigem a uma determinada casa do bairro rural que adrede colocou as luminárias de bambu com azeite de mamona ou espetou várias cascas de laranja azeda, com aquele líquido onde estão embebedas mechas de algodão que darão uma luz bruxuleante, mas a suficiente para iluminar homens e mulheres alegres e folgazões.
Nesta festa da arqueocivilização não falta a água que é tirada às cuiadas ou canecadas, a farinha de trigo ou o polvilho esfregado nos rostos do mais acessíveis e não há fundo de panela que não forneça tinta preta para tisnar e borrar a face dos distraídos.
Festa de Nossa Senhora dos Navegantes
Poesia é Arte e Cultura...
Marcia Ruth Kanitz Portela
Professora - Poeta
Obra: Folclore Nacional - Festas, Bailados, Mitos e Lendas - Alceu Maynard Araújo -1964.
Do ciclo do Natal é também a Festa de Nossa Senhora dos Navegantes realizada em Porto Alegre a dois de Fevereiro, popularmente chamada /festa das Melancias, produto típico do solstício de verão.
Quando os povoadores açoritas, quais sentinelas lusíadas se postaram no "Porto dos Casais", implantaram seus costumes em a nossa terra no Estado do Brasil. Ali no Guaíba praticaram a sua devoção a Nossa Senhora dos Navegantes.
Implantada pelo português que, embora não possuindo "linha de cor" para delimitar suas relações, foi pouco a pouco abandonando-a, hoje ela está nas mãos dos negros gaúchos. Razão tem Roger Bastide ao dizer que "o branco(português) abandona o folclore, à medida que o negro nele penetra".
É uma festa realmente popular, fazendo balouçar sobre as águas do Guiaba centenas de barcos e milhares de fiéis cumprem assim sua devoção, participando da procissão fluvial.
Antecipadamente a imagem é colocada em outra igreja e a procissão leva-a de volta a sua legítima edícula, alcançando o Porto dos Navegantes. Desembarcados, levam-na à igreja onde ficará até o ano seguinte.
terça-feira, 21 de janeiro de 2020
CÍRIOS DE NAZARÉ
POESIA É ARTE E CULTURA
Marcia Ruth Kanitz Portela
Professora - poeta
Obra: Folclore Nacional - Festas, Bailados, mitos e Lendas
Edições Melhoramentos - 1964 - Autor - Alceu Maynard Araújo.
CÍRIOS DE NAZARÉ - É uma festa de origem portuguesa, que surgiu com o aparecimento da imagem de N.S.ª de Nazaré, em 1971 ou 1733 junto as pedras lodosas do rio, encontrada por um escravo de nome Plácido que abrigou o achado em uma choupana de meriti no igarapé onde nasceu posteriormente o bairro de Nazaré. Com o correr dos anos, erigiu-se a Basílica, uma das peças arquitetônicas mais suntuosas do Brasil, onde há mosaicos, mármores, bronze e outro em profusão, trinta e seis colunas róseas formam as naves profusamente iluminadas por cinquenta e três vitrais.
A basílica é de uma claridade tropical que irradia às dez capelas artísticas circundantes, a luz coada pelos vitrais.No altar-mor de mármore branco sobressai a imagem de faces negras de Nossa Senhora de Nazaré.
A festa dos Círios concentra milhares e milhares de devotos vindos dos mais recônditos rincões da Amazônia. Quinze dias antes a população se prepara para receber romeiros: as ruas e praças são tomadas por milhares de vendedores de refrigerantes de açaí, de tacacá com tucupi, de mil e uma guloseimas. No sábado que antecede o segundo domingo de outubro, à noite, há imponente procissão, cujo acompanhamento é feito pelos milhares de devotos conduzindo velas, tochas, círios acesos. Cerca de três mil metros são percorridos por uma multidão incontável. À frente do cortejo vai um carro representando uma fortaleza donde partem foguetes, bombas, fogos de artifícios em profusão.Este carro é secundado por outro onde há centenas de anjinhos e por último um outro enorme, coletando as promessas - é o carro dos milagres. Finda a procissão, já na madrugada de domingo, o povo não se dispersa, oferta à santa o coto de vela com o qual acompanhou a procissão- círio que iluminou a mais linda noite da região amazônica.
Pastoris - Solstício de verão
POESIA É ARTE E CULTURA...
MARCIA RUTH KANITZ PORTELA
PROFESSORA - POETA
OBRA: FOLCLORE NACIONAL - FESTAS, BAILADOS, MITOS E LENDAS
AUTOR - ALCEU MAYNARD ARAÚJO - Ed. Melhoramentos 1964.
Pastoris são danças e cantos que por ocasião das festas do ciclo de Natal se realizam em homenagem ao Deus Menino. Em geral se desenvolvem perto de um presépio. É em muitas cidades da região açucareira, a mais importante forma de manifestação artística popular do ciclo do solstício de verão e compreendem as Pastorinhas e os Bailes Pastoris. Aquelas populares, estes das classes economicamente bem situadas. As primeiras ainda existentes do Ceará e Pernambuco, os bailes pastoris, em vias de desaparecimento, encontrados aina no interior baiano, alagoano e sergipano.
Participação das jardineiras - moçoilas vestidas de siotes azuis, corpetes cor-de-rosa e muita fita, dançando segurando arcos enfeitados de flores, ao som de uma sanfona; os pares, meninotes, calça azul e camisa branca, nos pastoris nordestinos.
De Estado para Estado do nordeste, varia a denominação dessa atividade garrida: pastorinhas, presepes, baile pastoril ou apenas "bale". Pastoril é, portanto, um rancho alegre de meninas que, após ano, entoam nas visitas aos presepes e no tablado (palco) em praça pública, canções ao Deus Menino. Destacam-se pelos papéis de direção a Mestra e contramestra a Diana, Camponesa, Belo Anjo, o "Velho" e as demais simples pastoras.
As pastorinhas representam autos. É o festivo teatro popular, alegre, jocoso às vezes, mas quase sempre com as "jornadas" cheias de ensinamentos morais e religiosos. As músicas cheias de ternura enchem de encantamento as noites em que as pastorinhas visitam os presepes ou ou quando nos dias de festa de Natal e Reis, o pastoril se apresenta no tablado da praça.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2020
Pastorinhas
POESIA É ARTE E CULTURA...
MARCIA RUTH KANITZ PORTELA
PROFESSORA - POETA
OBRA:FOLCLORE NACIONAL - FESTAS, BAILADOS, MITOS E LENDAS - ALCEU MAYNARD ARAÚJO.
Pastorinhas - em 1945 o Rev.(mo)Padre Septimio Ramos Arantes, então vigário de Cunha, sacerdote que sempre procurou cultuar a nossa tradição, revivendo as festas tradicionais daquela cidade, convidou a Sr.ª /d. Rita de Cássia Veloso para organizar um grupo de meninas de 8 a 12 anos de idade, para representarem as pastorinhas. Eram 12 meninas bem ensaiadas e que cantavam desembaraçadamente. Foram preparadas por essa Sr.ª que utilizou as músicas do libro " Brasil Cantando" indicado pelo pároco.
As pastorinhas faziam visitas aos presépios da cidade, cantavam nas casas e pediam esmolas que revertiam em benefício do Natal das crianças pobres. "Faziam visitas aos presépios porque a camponesa foi visitar o Deus Menino; elas imitavam-na. As meninas trajavam-se de sais compridas e abalonadas, de chitão ramado, um corpete escuro, lenço vermelho no pescoço e chapéu de palha com as abas viradas para cima, preso por longas fitas.
Quando chegavam a uma casa contavam os seguintes versos na porta.
" Entrai, entrai pastorinhas,
por este portal sagrado
vinde ver a Deus menino
numa palhinhas deitado"/////
"As palhinhas deitam lírios,
menino sois meu alívio,
as palhinhas deitam cravos,
menino sois meus cuidados"./////
"Ó meu menino Jesus,
ó minha mimosa flor,
fizeste-vos tão pequenino
sento tão grande Senhor"./////
" Ó meu menino Jesus,
boquinha de marmelada,
quem vo-la comê-la toda
sem lhe deixar ficar nada"./////
Festas do Solstício de Verão
Poesia é Arte e Cultura...
Marcia Ruth Kanitz Portela
Professora - poeta
Obra: Folclore Nacional - Festas, Bailados, Mitos e Lendas. Autor - Alceu Maynard Araújo.
A principal festa deste solstício é a de Natal. É folclore artificial que o catequista implantou. Embora tendo um sentido ecumênico, é mais jubilosa, intensa e ruidosa da Bahia para o Nordeste e Norte. Reveste-se no setentrião brasileiro de caráter mais profano, suntuário, exibicionista, enfim festa de consumo; no meridiano é mais sacro, é a "obrigação religiosa das folias de reis" preparatória de um banquete comum no dia de reis (ou da Nossa Senhora das Candeias), portanto de consumo também.
Nas comemorações natalinas das áreas amazônicas, da jangada, do vaqueiro, agrícola açucareira, estão presentes os reisados, guerreiros, o bumba-meu-boi, os pastoris, os baianás e até os quilombos alagoanos ( e o lambe-sujo sergipano) a elas se agregam.
Nas regiões da ubá, cafeicultora, das novas culturas, mineradora, do boiadeiro e do campeiro, os ternos-de-reis, os tiradores-de-reis, com seu cantochão-acaipirado, percorrem, à noite, quais os reis-magos, cantando e pedindo óbulos para a sua festa de reis... A folia se reveste de um caráter sagrado, são os representantes dos reis magos visitando os devotos, havendo um ritual especial de visitas e reverência nas casas onde há presépios. Na cantoria os versos firam em torno deste temas: anunciação, nascimento, estrela-guia, Reis Magos, adoração, ofertório, agradecimento e despedida.
A presença de palhaços em algumas folias de reis não lhes tira o caráter sagrado do peditório. Nas folias, a função do palhaço varia. Não só a função bem como o simbolismo. Nas capixabas eles representam o satanás, daí trajarem-se de vermelho, chapéu cônico, mascarados e o inseparável relho. Não entram nas casas e locais onde há imagens de santos, presépios ou cruzes. Já em Minas Gerais são os representantes de Herodes, seus espias que seguiram os reis magos e acabaram convertendo-se ao cristianismo. São também chamados "guardas da companhia", Mocorongo ou morongo, ou marongo, Sebastião ou Bastião, todos porém usam disfarce - a máscara.
Varia o número de palhaços: numa dois, noutras três. A presença dos palhaços nas folias de reis é anotada em várias regiões. Mas, deve-se adiantar, que num mesmo estado, é encontrado em vários municípios.
Festas do Solstício de Inverno
POESIA É ARTE E CULTURA...
Marcia Ruth Kanitz Portela
Professora - Poeta
Obra: Folclore Nacional - Festas, Bailados, Mitos e Lendas. Autor - Alceu Maynard Araújo
As festas da santa-cruz e as de junho são realizadas em todo o Brasil. A primeira francamente decadente. A de São João é a principal festa do solstício de inverno realizada em todo o território brasileiro; as demais são satélites. Festa profundamente humana, traz em seu bojo os apelos da arqueocivilização, é o ritual pagão que se trasladou para o catolicismo romano que lhe deu como padroeiro um santo cuja data hagiográfica se localiza no período solsticial, época no Brasil, do início das colheiras, dentre as quais se destaca a do milho.
Enquanto os demais santos são apresentados nas iconografias como adultos, São João Batista - o precursor, figura como menino de cabelos encaracolados e tem, ao contrário dos outros, a sua festa realizada em a noite que antecede o seu dia.
Festa presente em todas as áreas culturais brasileiras, nas quais uniformemente gira em torno do fogo, nela se tiram sortes e prevendo o futuro, e, embora seja nosso país tropical, onde a vigília é dispensável, é esta elemento que permanece, pois nessa noite come-se muito e principalmente os alimentos chamuscados pelo fogo: batata-doce assada, a onipresente mandioca (macaxeira). Lá no setentrião é a castanha do Pará ou de caju, no sul é o pinhão. Bebe-se o produto da terra - a cachaça, que tem no Brasil mil e um nomes: bebida pura ou mistura com frutas (limão) ou cocção de raízes(gengibre) dando o "quentão": licor de maracujá ou de jenipapo.
Nas festas juninas estão bem marcados os tipos de comidas e bebidas preferidos pelo povo. No Amazonas come-se carne de boi, de tartaruga, de galinha, de peixe, de caças de pelo e penas e as frutas: abacaxi, banana, ananás, laranja, bacaba, açaí. Estas, ao lado da macaxeira, batata-doce, pupunha. Flores, enfeitam os mastros, em cujo tope se vê uma bandeirinha branca.
No Ceará come-se serrabulho, linguiça, carne assada com pirão, cabidela, batata-doce, inhame, pamonha, canjica, mungunzá, milho assado, pé-de-moleque, cocada, tapioca, bolo, grude, beiju, broa, castanha de caju assada e bebe-se capilé, jinjibirra, aluá, mocororó, cauim, licor e cachaça.
Em Goiás come-se paçoca de carne, batata-doce assada, pé-de-moleque, pipoca, biscoito de ubá, mandioca, milho verde, bebe-se garapa de cana e dança-se o saruê, dança jocosa que se assemelha à quadrilha, confusa na marcação.
Diferem também nas várias áreas as danças e cantos preferidos pelo povo. No Amazonas dançam a polca, "schottish", quadrilha, valsa, desfeiteira e sambas. No Pará, cerca de cem ou mais pessoas mascaradas acompanhadas por uma banda de música de uma dúzia de figuras, formam o grupo de foliões popularmente chamados - mascarados - que nessa noite percorre as ruas, de mistura com os "bichos" que frequentam as festanças paraenses. No Nordeste, o coco, coco-de-praia, o bambelô, o boi-de-São João, sambas, marchas e roda -pagode. Esta é a atividade lúdica dos adultos do baixo São Francisco por ocasião das festas de plenitude ou principalmente na pequena vacância agrícola do inverno "mês de São João".
domingo, 19 de janeiro de 2020
Festas do Divino
Poesia é Arte e Cultura...
Marcia Ruth Kanitz portela, 19/ 01/2020,
Professora - poeta
Histórico
A Festa do Divino Espírito Santo é originariamente européia. Segundo alguns estudiosos portugueses, é oriunda da Alemanha, introduzida em Alenquer, Portugal, graças à iniciativa da Rainha Isabel (Teófilo Braga, O povo português). Bem mais remota, porém, é sua origem. Os povos germânicos, em contato com os romanos, destes a receberam através de cerimônia do panins gradilis, ou mesmo do repasto sagrado, praticado por todos os cidadãos gregos, pois na Grécia acreditava-se que a salvação da cidade dependia de tal cerimônia. Aristóteles em Política aponta tal usança entre Oscos, Ausônios e Enótrios.
Vários autores citam a introdução da festa do Divino no Brasil em 1765 por ilhéus lusitanos, na Matriz de Santo Antônio de Além Carmo da Bahia. É óbvio que a falta de pesquisa leva-nos a repetir tal data. Acreditamos entretanto que tenha sido introduzida no Brasil no século XVI e no Estado de São Paulo há uma referencia anterior àquela, é a de 1761, encontrada no Livro Tombo da Matriz de Guaratinguetá. Segundo essa ordem, a festa do Divino era de há tempos praticadas na então vila vale-paraibana, certamente desde o século XVII.
EM Portugal era hábito fazer vigílias nas igrejas e para passar o tempo mais depressa, havia comida a fartar. Em geral a comezaina terminava em orgia: por isso, foram abolidos os "vodos do Espírito Santo", por ocasião dos Pentecostes. Nas "Ordenações Filipinas", Livro V, título 5, parágrafo 1.º, encontramos a permissão para os "vodos do Divino". Esta lei esclarece que as festas do Divino eram com acompanhamento e música, como ainda se observa hoje em alguns lugares do Brasil.
Da obra: Festas, Bailados, Mitos e Lendas - Alceu Maynard Araújo,1964.
FESTA DO POVO
Poesia é Arte e Cultura...
Marcia Ruth Kanitz Portela
Professora - poeta
19/01/2020.
Festas
Dentre as manifestações da vida social nos agrupamentos humanos podemos destacar a festa, cujo aparecimento data das mais remotas eras, certamente quando o homo faber, deixando de ser mero coletor de alimentos, praticante da técnica de subsistência da catança, passou a produzir-los plantando. Há na aurora das festas aquela preocupação mágica de agradecer a natureza ou suplicar para que ela, entidade supra terrenas ou divindades, não permitam as pagas, danos ou malefícios nas plantações, praticando portanto ritos protetivos e produtivos.
A festa inter-relaciona-se não só com a produção, mas também com os meios de trabalho, exploração e distribuição, ela é portanto consequência das próprias forças produtivas da sociedade, por outro lado, é uma poderosa força de coesão grupal, reforçadora da ajudam, nos grupos familiares, Certamente nessa época, tratar-se-ia da solidariedade mecânica, própria das sociedades não estratificadas, primitivas, segundo nos ensina Durkheim.
As festas, com o correr do tempo, foram se associando outros elementos tais como padroeiros, entidades sobrenaturais, mais tarde substituídas pelos santos do hagiológio católico romano. Não faltou a comezaina. Ao lado desta, a bebedeira que caracterizou os bacanais. àquelas comemorações foram adicionando, através dos tempos e dos povos, o engalamento, as máscaras, os disfarces, a liturgia, o exibicionismo...As festas tiveram uma origem comum: uma forma de culto externo tributado a uma divindade, realizado em determinados tempos e locais desde a arqueocivilização. Recebeu porém, roupagem nova após o evento do cristianismo. A Igreja Católica romana determinou certos dias para que formando o seu conjunto o ano eclesiástico. Estas festas são distribuídas em dois grupos distintos: as festas do Senho e o dias comemorativos dos Santos. Modernamente as festas de Nossa Senhora estão perdendo aquele caráter intermediário para se colocarem ao lado do grupo principal, isto é, das festas do Senhor.
Obra: Folclore Nacional - Festas, Bailados, Mitos e Lendas - Alceu Maunard Araújo.
Alceu Maynard Araújo - Cultura popular Brasileira
Marcia Ruth Kanitz Portela
Poesia é Arte e Cultura...
19/01/2020.
Alceu Maynard Araújo, nasceu em Piracicaba no dia 21 de dezembro de 1913, mudou com a família para a cidade de Botucatu – as duas cidades em que estaria afetivamente ligado durante a sua vida. ... Em Botucatu, completou os primeiros estudos e, em seguida, graduou-se professor pela Escola Normal Oficial do Estado.Historiador, documentarista, folclorista, professor e poeta.Autor de inúmeros trabalhos literários sobre assuntos em que é consumado especialista, dedicou vários anos a pesquisas em todo o território brasileiro, compilando material valiosíssimo com que pudesse escreve e ilustrar abundantemente o folclore nacional, que é o coroamento de sua obra de estudioso das coisas brasílicas.
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