quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

CONGADA

É provável que no tempo e no espaço seja o bailado popular mais notável. É luis Edmundo que a surpreende no Rio de Janeiro colonial no tempo dos vice-reis. Dela há registros de vários viajantes que perlustraram nossas terras no passado. Alguns estudiosos registraram-na em vários pontos do Brasil: Ceará, Paraíba, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul. Particularizando podemos afirmar, graças nossas pesquisas in loco, a sua presença em uma vintena de municípios no Estado de São Paulo.Em 1948 ao preparamos um mapa das atividades folclóricas no Estado de São Paulo, apontamos Atibaia como a capital da zona cangueiro. Registramos a congada nos seguintes municípios. Ajuriti, Aparecida do Norte, Atibaia, Bragança Paulista, Caraguatatuba, Eldorado Paulista, Iguapé, Ilhabela, Itapetininga, Itapira, Itatiba, Joanópolis, Lindoia, Moji das Cruzes, Moji Mirim, Acarei, Nazaré Paulista, Piracaia, Salesópolis, Santo Antônio da Alegria, São Sebastião, Serra Negra e Socorro. /de uma região para outra seu nome pode variar, mas o substractum dela é sempre a luta entre cristãos e mouros. Alardo, Ticumbi ou Baile -de-Congos no Espírito Santo; Calumbi,Cacumbi, Côrte-de-mouros, Congo-de-morro, Baile-de-congo, no interior baiano; Congada, Congado ou Congo em minas Gerais, Mato Grosso, Goias e São paulo, Congada no Paraná e rio Grande do Sul. Neste é também conhecido por quicumbi.. Em Minas Gerais, há o catopês que pode ser considerado como congada, ou melhor, arremedo de congada, foi o que vimos em agosto de 1961 em montes Claros. Função social - A Congada é folclore artificial, criado pelo catequista, visando uma função sublimada (psicanálise) dos escravos e outra integradora do pagão, do fetichista na religião oficial. A escravatura, nas suas raízes em terras d'África levava a destruição das civilizações africanas procurando desagregá-las. Vieram nos tumbeiros negros de diversos estoques tribais. A política da igreja entretanto procurou manter as nações. Ora, as nações africanas eram inimigas entre sio e essas lutas vieram continuar aqui no Brasil. O plano então seria evitar uma revolta contra o branco pela união das diferentes nações. O folclore artificial mantinha em parte a velha tradição. Os negros formavam tribos que se guerreavam - suas danças eram guerreiras. A igreja transfere sabiamente esse instinto de guerreiro do negro em espécie de cruzada religiosa. Ela introduz um sincretismo, misturando a atitude guerreira do negro com o sentimento religioso. Simples instrumento de trabalho como eram considerados os escravos, para garantir boa produção, os capelães aconselharam aos senhores dar-lhes certos dias de festa por ano. A igreja visava cristianizar exigindo dos escravagistas descanso nos dias das grandes datas religiosas. Graças aos dias de folga, à política de dar divertimento em certos dias do ano, muitas das músicas e das danças trazidas pelos negros, se mantiveram. Os padres, defensores dos negros mantinham severa fiscalização parra que seus protegidos não dessem caráter muito sensual às suas danças. Esta, porém, era estimulada pelo senho branco que via nelas maior possibilidade de procriação. Desta interação entre padres, patrões e escravos, podemos separar as manifestações do folclore negro em três formas características: congada - que é dos negros ministrada pela Igreja: Batuque, condenada pela Igreja, favorecida pelo senhor: era a dança de prostituição das senzalas e finalmente a MAcumba ou Candoblé, condenada pelos patrões brancos e pela Igreja, mas tradicional do negro livre.

BAILADOS

Poesia é Arte e Cultura... FOLCLORE NACIONAL Alceu Maynard Araújo Festas - Bailados - Mitos e Lendas Professora poeta - Marcia Ruth Kanitz Portela Bailados Foi Mário de Andrade que denominou de danças dramáticas aos bailados populares: " reúno sob o nome genérico de danças dramáticas", disso o saudoso escritor paulista, " não só os bailados que desenvolvem uma ação dramática propriamente dita, como também todos os bailados coletivos que, junto com obedecerem a um tema dado tradicional e caracterizador, respeitam o princípio formal da suíte, isto é, obra musical constituída pela seriação de várias peças coreográficas." A nosso ver os bailados populares no Brasil foram largamente usados na catequese porque os jesuítas, criadores do teatro religioso, lançaram mão dele iniciando a conversão da indiada.